08/02/2010
Os carros eléctricos podem aumentar as emissões de dióxido de carbono se dispensarem energia "verde". Francisco Ferreira diz que é preciso corrigir esta falha na lei.
A circulação de carros eléctricos pode provocar um aumento das emissões de dióxido de carbono, a menos que estes veículos sejam abastecidos com energia "verde", refere um relatório divulgado pela Quercus.
As conclusões do estudo, apresentadas em Bruxelas, levaram as organizações ambientalistas que o divulgaram a «apelar ao estabelecimento de metas de energias renováveis na produção de electricidade que assegurem que os veículos eléctricos terão mesmo emissões zero».
O relatório foi preparado para as associações ambientalistas "Amigos da Terra - Europa", "Greenpeace" e T&E, Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, da qual a Quercus faz parte.
Ouvido pela TSF, Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus, considera que o apoio previsto no Orçamento de Estado para 2010, de «pelo menos 7300 euros por veículo» eléctrico, é «exagerado», porque é «quase o preço de alguns automóveis novos com emissões baixas».
Este valor «é dado sem se conhecer efectivamente que veículos eléctricos é que vão chegar ao mercado português» nos próximos tempos, criticou.
«Para termos a mais-valia dos veículos eléctricos, precisamos que uma percentagem muito significativa da electricidade que temos na rede seja efectivamente desta origem», alertou o ambientalista.
Francisco Ferreira acrescentou que «as marcas não podem, à custa de colocarem veículos eléctricos, ter a permissão para colocarem vários veículos extremamente poluentes».
O estudo indica que a legislação europeia que regula as emissões dos carros apresenta «graves lacunas» ao autorizar os construtores automóveis a «compensar» a venda de veículos eléctricos com a venda de veículos mais poluentes, que escapam aos limites de emissão definidos na legislação.