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Chegou o Enlouquecimento Global: Thomas L. Friedman

09/03/2010

Quando vemos legisladores como o senador Jim DeMint, da Carolina do Sul, anunciando pelo Twitter que “vai continuar nevando até o Al Gore pedir ‘água’”, ou lemos que os netos do senador James Inhofe, de Oklahoma, estão construindo ao lado do Congresso americano um iglu com uma grande placa dizendo “A Nova Casa de Al Gore”, acho que é o caso de perguntar se ainda é possível uma discussão consequente sobre a questão do clima e da energia.

A comunidade científica não está isenta de culpa. Os climatologistas sabiam muito bem que iriam enfrentar forças poderosas – desde as empresas petrolíferas e mineradoras de carvão que financiam os estudos dos que duvidam das mudanças climáticas, passando por conservadores que odeiam tudo o que implica mais regulamentações governamentais, até a Câmara do Comércio, disposta a resistir a qualquer imposto sobre a energia. Por esse motivo, os especialistas no clima não podem se permitir nenhuma vulnerabilidade, como citar pesquisas não verificadas por seus pares ou deixar de responder a questões legítimas – como ocorreu com a Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia e com o IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Embora exista uma montanha de pesquisas, feitas por múltiplas instituições, sobre a realidade das mudanças no clima, é cada vez mais evidente o desconforto do público. Afinal, quem está com a razão? A meu ver, a comunidade de climatologistas deveria reunir seus principais especialistas – vinculados a instituições como a NASA, os laboratórios nacionais americanos, o MIT - Massachusetts Institute of Technology, a Universidade Stanford, o California Institute of Technology e o Hadley Centre do Met Office britânico – e produzir um documento simples de 50 páginas. Ele teria como título “O Que Sabemos” e apresentaria um resumo de tudo o que já se sabe sobre as mudanças climáticas em uma linguagem compreensível por um estudante do primeiro grau – e com incontestáveis notas de rodapé aprovadas pela comunidade científica.

Ao mesmo tempo, também deveriam incluir um sumário de todos os exageros desvairados e equívocos propalados pelos céticos das mudanças climáticas – assim como uma relação dos responsáveis pelo financiamento desses indivíduos. Chegou a hora de os climatologistas abandonarem a posição defensiva. O físico Joseph Romm, um dos principais autores que tratam das questões climáticas, está divulgando no website climateprogress.org a sua própria lista dos melhores artigos científicos sobre todos os aspectos das mudanças climáticas, para esclarecimento daqueles hoje interessados em um resumo conciso das questões.

Gostaria também de enfatizar alguns pontos:
1) Vamos evitar a expressão “aquecimento global”. Seria muito melhor dizer “enlouquecimento global”, pois na verdade é isto o que ocorre quando sobem as temperaturas globais e muda o clima. O clima fica enlouquecido. Espera-se que as regiões quentes fiquem mais quentes, as úmidas mais úmidas, as secas mais secas e aumente a quantidade de tempestades mais violentas.

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